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sábado, 30 de julho de 2011

I) CRÔNICAS

HALO

O que ficou para trás, o passado, adquire, com o passar dos dias, dos anos e dos séculos, um halo, um brilho, um esplendor moral e uma grandeza que, muito provavelmente, não existia ao tempo em que tudo acontecia, em meio à imutável aridez dos relacionamentos , interesses pessoais, ambições, crenças e paixões que regem o universo das relações humanas.

O passado, em qualquer dos seus tempos, não deve ter sido tão romântico como o vemos retratado nos relatos que passam de geração para geração; nos livros de história; nos filmes, e em outras sensíveis manifestações de arte.

O passado, deve ter sido vivido com as as virtudes e agruras do viver do seu tempo, assim como acontece com o hoje, que em um longínquo amanhã, também terá, por manifestação de historiadores e artistas, o seu halo, o seu brilho, o seu esplendor moral e a sua grandeza!

RESGATE

O resgate das palavras, das atitudes impensadas, das oportunidades não aproveitadas, do amor desperdiçado, do curso não feito, do tempo perdido em discussões estéreis, no ontem, é a impossibilidade do hoje.

Quase tudo pode ser resgatado, mas nada será igual, como as águas do rio que, aparentemente, são as mesmas, mas já rolaram no espaço, no tempo e na forma.

Quase tudo pode ser resgatado, se houver no espírito, o arrependimento saudável, o desejo de ser generoso e uma enorme determinação e discernimento para entender que, tudo será diferente, como se estivesse acontecendo pela primeira vez, porque o ontem é o imutável passado que foi o precursor do imprevisível viver do hoje.

Tudo pode ser parecido, mas jamais igual!

II) MESTRES

.....................O Fruto........................

Subia, algo subia, ali, do chão,

quieto, no caule calmo, algo subia,

até que se fez flama em floração

clara e calou sua harmonia.

Floresceu, sem cessar, todo um verão

na árvore obstinada, noite e dia,

e se soube futura doação

diante do espaço que o acolhia.

E quando, enfim, se arredondou, oval,

na plenitude da sua alegria,

dentro da mesma casca que o encobria

volveu ao centro original.

...................Rainer Maria Rilke (1875-1926) poeta da literatura e língua alemã.

III) LITERATOS

Robert Louis Stevenson, novelista, poeta e escritor de roteiros de viagens, nasceu em Edimburgo, Escócia, em 13 de novembro de 1850, e faleceu em 3 de dezembro de 1894, em Ápia, Ilhas Samoa.

Filho de engenheiro civil, era pressionado pelo pai para seguir a mesma carreira, mas a saúde debilitada e a fraca inclinação para a área fizeram com que se decidisse por uma carreira alternativa. Entrou para a Faculdade de Engenharia de Edimburgo e, lá, escreveu, entre 1871 e 1872, para o jornal universitário, revelando seu talento para a arte e literatura.

Em 1877, é internado na cidade de Davos, Suiça, para tratar a tuberculose que o acometia.

Entre 1882 e 1883, escreve Treasure Island ( A Ilha do Tesouro).

Conhece a notoriedade artística ao escrever , em 1886, The Strange Case of Dr. Jekill and Mr. Hyde ( O Médico e o Monstro ).

Seus livros se transformaram em filmes e O Médico e o Monstro teve várias versões, sendo uma das primeiras, de 1941, com grandes astros de Hollywood como Spencer Tracy, Ingrid Bergman e Lana Turner.

.........Da sua obra: "O homem de sucesso é o que viveu bem, riu muitas vezes e amou bastante; que conquistou o respeito dos homens inteligentes e o amor das crianças; que galgou uma posição respeitada e cumpriu suas tarefas; que deixou este mundo melhor do que encontrou, ao contribuir com uma flor mais bonita, um poema perfeito ou uma alma resgatada; que jamais deixou de apreciar a beleza do mundo ou falhou em expressá-la; que buscou o melhor nos outros e deu o melhor de si."..................................................................................................

IV) PENSAMENTO LIVRE

Aceitar nossas próprias limitações e as que nos são impostas na vida em sociedade, não é resignação; é maturidade e entendimento!

sábado, 23 de julho de 2011

I) CRÔNICAS

A PALAVRA

O menino, que morava na pequena e sossegada cidade de poucos atrativos, foi, em uma tarde de sábado, assistir a um jogo de futebol em um descampado de terra batida, muito comum em pequenas localidades.

As improvisadas traves eram de irregulares troncos de árvore; redes não havia, e a bola, originalmente marrom, era esbranquiçada devido ao longo e contínuo uso.

O árbitro da partida era sempre alguém de boa vontade, impelido pelo incentivo dos fora de forma e mal uniformizados jogadores.

Lá pelas tantas, o clima de camaradagem já não era o mesmo enquanto os erros do árbitro se sucediam e o nervosismo dos jogadores aumentava, bem como os joelhos ralados.

A pequena torcida, em pé ao lado do campo, gritava e xingava, sérios uns, de bom humor os mais velhos.

Foi quando o árbitro cometeu um erro mais grosseiro ainda, marcando uma penalidade máxima.

O coro de torcedores chamando-o de 'ladrão' e 'burro' cresceu e se repetiu em uníssono, e, cessou de repente.

O menino, na sua inocência, achando tudo uma festa, gritou sozinho: 'ladrão', 'burro.'

O árbitro, uma homenzarrão um tanto gordo e de quase um metro e noventa de altura, pareceu ter ouvido somente aqueles dois últimos gritos, avermelhou-se e olhou em direção ao menino com fúria.

- Foge menino! - gritou um homem mais velho ao seu lado.

De onde estava, o homenzarrão jogou o apito ao chão e saiu em carreira em direção ao menino que, quando viu aquela massa imensa rolando em sua direção, acordou da sua imprudência, dando-se conta do conselho que ouvira.

Montou na velha bicicleta, torcendo para que a rebelde corrente não escapasse como aconteceu de vezes anteriores, e pedalou como nunca antes fizera em sua vida, enquanto o árbitro ficava cada vez maior atrás dele.

Pedalava, e, na sua agonia, seu cérebro-criança prometia que se escapasse dessa, iria à missa com a mãe todo domingo de manhã, confessaria sempre e não cometeria mais seus costumeiros pecados.

A providência colocou à sua frente uma generosa ladeira pela qual nunca havia descido, e a força da gravidade ajudou-o a aumentar a velocidade, deixando, finalmente, o seu quase carrasco para trás.

Mas, só se sentiu livre do perigo depois de chegar ao quintal da sua casa, esconder a bicicleta, entrar em seu quarto e trancar a porta, enquanto o coração parecia sair-lhe pela boca.

Criança, ainda, não sabia que a palavra pode ser uma espada muito afiada, e que o seu melhor lugar é na bainha.

Muitos anos mais tarde, na lição que aprendera, usaria sempre a palavra como uma vara mágica, atributo encantatório que o habilitava a ser uma pessoa ponderada, agradável, educada, conciliadora, e que praticava, em meio à selvagerias dos humanos, o entendimento!

PARAÍSO

O paraíso pode ser aqui mesmo. Pode estar nas pequenas alegrias; no ter-se saúde; no teto que abriga; no agasalho que aquece; nas possibilidades de se ter pequenos gostos satisfeitos; no compartilhar de idéias, projetos, sonhos e desejos; em se ver o sol vir e ir-se; no saborear de ocasiões e pratos especiais.

O paraíso está, mais do que tudo que se deseje ardentemente, na paz interior!

II) MESTRES

" O amor e a razão são dois viajantes que nunca vivem juntos na mesma hospedaria: quando um chega, parte o outro." - Sir Walter Scott (1771-1832), romancista e poeta escocês.

III) LITERATOS

Alexandre Dumas, pai, romancista francês, nasceu em 24 de julho de 1802 e faleceu em 5 de dezembro de 1870. Descendente da nobreza, era neto de marquês e filho do General Dumas, importante militar do seu tempo.

Enquanto trabalhava em Paris, Alexandre Dumas começou a escrever artigos para revistas e também peças para teatro, tendo sua primeira peça, de 1829, Henrique VIII e sua Corte alcançado sucesso de público, que se consolidou com sua segunda peça, Christine, de 1830, tornando-o financeiramente capaz de trabalhar como escritor em tempo integral.

Em 1840, casou-se com uma atriz, Ilda Ferrier, o que não o impediu de continuar a ter casos com outras mulheres, sendo pai de pelo menos três filhos fora do casamento.

Seu trabalho como escritor lhe rendeu muito dinheiro, mas ele vivia endividado por conta de seu alto gasto com mulheres e de seu estilo de vida.

O grande e dispendioso château que construiu estava constantemente cheio de pessoas estranhas que se aproveitavam de sua generosidade.

Sepultado no local onde nasceu(Villers-Cotterêts), seu corpo ficou lá até 30 de novembro de 2002, quando o presidente francês, Jacques Chirac mandou transportá-lo para o Panteão de Paris, mausoléu onde grandes filósofos e escritores da França, como Vitor Hugo e Voltaire estão sepultados.

Alexandre Dumas escreveu romances e crônicas históricas com muitas aventuras, que estimulavam a imaginação do público francês e de outros países nos idiomas para os quais foram traduzidos, além de terem sido transformados em muitos filmes.

Entre suas obras: Os Três Mosqueteiros, O Conde de Monte Cristo, e Os Irmãos Corsos.

A casa de Alexandre Dumas fora de Paris, o Château de Monte Cristo, foi restaurada e é aberta ao público.

.........Trecho de Os Três Mosqueteiros, quando d'Artagnan cavalga ao lado do seu criado Planchet, em meio a um bosque:

.......... - Não acha, patrão, que os bosques são como as igrejas?

.......... - Por que diz isso, Planchet?

.......... - Porque não ousamos falar em voz alta nem aqui nem lá.

IV) PENSAMENTO LIVRE

Intolerância é a erva daninha causadora das dissensões: nos lares, no trânsito, nas disputas esportivas, nas crenças, religiosas ou não, enquanto a compreensão e o entendimento são as raras pepitas da virtude que estão quase sempre aquietadas no recôndito do melhor do ser humano!



sábado, 16 de julho de 2011

I) CRÔNICAS

CARREGANDO A VIDA

Muitos de nós carregam suas vidas deixando de sentir o encanto de milhares de preciosos momentos, não saboreando a doce seiva desse rico bem, que o tempo consome tão rápido quanto a velocidade da luz do vácuo, tal a brevidade da vida humana.

Sem preparo pessoal e ralos conhecimentos técnicos, quando jovem, trabalha enfadado e sem modos, achando-se merecedor de melhores salários, enquanto aguarda o final de semana para poder ir para a balada, onde pensa está o melhor em sua ainda vida pequena.

Adulto, trabalha quase sempre insatisfeito, ansiando uma vida toda por uma aposentadoria que chegará, quando ele, avançado na cronologia da idade, já terá perdido o viço da juventude, enegrecido o espírito, e ganho as naturais limitações físicas e suas possibilidades de voos realizadores.

No meio tempo das idades, angustia-se com problemas e dificuldades abstratos, impalpáveis e desnecessários, portanto, e sem fim, porque esse é seu espírito.

O ser humano viaja sua vida em busca do que não sabe o que é, pois, quase sempre vive sua vida em um estado catatônico, em sonhos indefiníveis, sem generosidade, sem alma, em abstraimento, e sem projetos fazíveis!

O QUE SOMOS

O que determina o que somos, nossos gostos, o que queremos e o que deixaremos para a apreciação póstera da família, dos amigos, da comunidade, dos estudiosos das artes, das ciências e do progresso da humanidade?

Uma palavra, um gesto, uma atitude, um elogio, uma repreensão, uma alegria, uma dor, uma cena na rua ou outra na televisão, podem mudar todo um pensar, todo um ser, para o bem ou para o mal, para o talento e a criação ou para uma patologia criminosa.

A alma humana é um extenso papiro cuja indecifrável escrita hieroglífica, quando revelada, é, frequentemente, surpreendente!

II) MESTRES

" Chegava sempre em silêncio.

Sob um ângulo me olhava

e, sem nada me dizer

de fora, pela vidraça,

aprovava ou reprovava

com um aceno de mão

o que no instante eu fazia...

Quase sempre era poesia...

Poesia, poesia,

dia e noite eu escrevia,

e, da presença tão doce

de minha mãe, esquecia...

Quando eu dava por sua falta,

a manhã já ia alta

e ela ao longe se sumia...

Eu não sabia, meu Deus,

o tesouro que perdia."

----------------Elisa Barreto, poetisa, no livro 'Tecendo o indefinido'

III) LITERATOS

Jane Austen, escritora inglesa, nasceu em Steventon em 16 de dezembro de 1775 e faleceu em Winchester em 18 de julho de 1817.

Nasceu em uma família pertencente à burguesia agrária, e sua situação e ambiente serviram de contexto para todas as suas obras. Tratava das pessoas comuns com aguda percepção psicológica e um estilo de uma ironia sutil.

Era filha de um pároco anglicano local, que também trabalhava como tutor, atividade muito comum na época devido à falta de ensino formal, para suplementar os ganhos familiares, dando aulas em sua residência.

Em 1803, Jane Austen vendeu seu primeiro livro, Northanger Abbey, que seria publicado somente 14 anos depois.

Suas obras mais notáveis Sense and Sensibility (Razão e Sentimento), de 1810 e Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito), de 1813, foram temas de muitos filmes, de 1938 a 2009.

Um manuscrito de The Watson's, não finalizado por Jane Austen, foi leiloado no dia 14 de julho deste ano por 1 milhão e 600 mil dólares pela casa de leilões Sotheby's de Londres.

----------------"Não quero que as pessoas sejam muito gentis, pois tal poupa-me o trabalho de gostar muito delas." - Jane Austen

----------------"Muitas vezes perdemos a possibilidade de felicidade de tanto nos prepararmos para recebê-la. Por que então não agarrá-la de uma vez?" - Jane Austen

----------------"A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinônimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho relaciona-se mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós." - Jane Austen

IV) PENSAMENTO LIVRE

Tudo passa muito rápido: o segundo, o minuto, a hora, o dia, a semana, o mês, o ano e a vida. Não perca o seu ontem; viva o seu hoje!

sábado, 9 de julho de 2011

I) CRÔNICAS

A PRIMEIRA PEDRA

O pai, aposentado de 55 anos, cigarro à boca, bermudas, chinelos nos pés e abdome saliente projetado pela camisa aberta, lia o jornal e exalava comentários em relação a tudo o que lia, enquanto a esposa tentava assistir a novela e o menino, sentado ao seu lado, à moda índia, montava seus bonecos de super-heróis, manipulando-os em fantasiosas e ruidosas lutas.

- Ninguém respeita nada neste país. - diz o pai em voz irritada.

- Mas, pai, a polícia não pegou sua carteira de motorista porque o senhor estava dirigindo depois de beber?

- Cala a boca, menino! - exclamou o pai.

O menino e a mãe, sorriso de cumplicidade nos lábios, se entreolharam, quietos.

- Olha este outro que bateu na mulher e nem foi preso. Que machista!

- Mas, pai, o senhor não bate na mamãe, mas o senhor grita muito com ela, tirou ela da escola e nunca a deixou trabalhar.

- Cala a boca, menino! - exclamou o pai.

O menino e a mãe, sorriso de cumplicidade nos lábios, se entreolharam, quietos.

- Olha só! O time precisou perder 3 jogos, empatar um e ganhar só um, e esse cara com salário de 300 mil por mês só agora foi mandado embora. Já deveria estar longe há muito tempo!

- Mas, pai, o senhor foi técnico do time do bairro que era quase sempre o último nos campeonatos da cidade e não foi mandado embora só porque comprava as bolas e fazia churrasco para o pessoal do time

- Cala a boca, menino! - exclamou o pai.

O menino e a mãe, sorriso de cumplicidade nos lábios, se entreolharam, quietos, mais uma vez, interessados somente nas fantasiosas lutas dos super-heróis e na simplicidade da novela.

Mal do gênero humano, que atire a primeira pedra aquele que não tem pecado, que não comete a mínima transgressão, que não comete faltas nem na consciência, e nem tem pecadilhos!

MEMÓRIAS

O passado é intocável, não pode ser mexido, imutável que é.

Não pode ser revivido nem com o mesmo brilho ou com os velhos rancores.

Ele pode, no máximo, ser quase totalmente obliterado se dores e desgostos trouxe, ou guardado nas memórias que o coração quer, se emoções e alegrias provocou.

II) MESTRES

"É preferível muito mais servirmo-nos dos nossos olhos para nos guiarmos e apreciar a beleza das cores e da luz, a conservá-los fechados e, assim, guiarmo-nos pelo alheio proceder." - Rene Descartes (1596-1650), filósofo, matemático e físico francês.

III) LITERATOS

Sir Arthur Conan Doyle, escritor e médico britânico, nasceu em 22 de maio de 1859 e faleceu em 7 de julho de 1930. Ficou mundialmente famoso por suas 60 histórias do detetive Sherlock Holmes.

Arthur Conan Doyle viveu e escreveu parte de suas obras em Southsea, um bairro elegante de Portsmouth, Inglaterra.

Proveniente de família rigorosamente católica, herdou de sua mãe o caráter cavalheiresco, tendo sido ela quem lhe ministrou as primeiras letras.

Estudou medicina na Universidade de Edimburgo, e enquanto estudava, começou a escrever pequenas histórias, sendo sua primeira obra publicada antes de ter completado 20 anos.

A sua primeira obra notável foi Um Estudo em Vermelho , publicada em 1887, primeira vez em que Sherlock Holmes apareceu.

Arthur Conan Doyle casou-se 2 vezes e teve 5 filhos.

O personagem criado por ele, o detetive Sherlock Holmes, ficou famoso por utilizar, na resolução dos seus mistérios, o método científico e a lógica dedutiva.

Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro Dr. Watson aparecem em 60 obras e mais de 200 filmes. O último deles, é de 2009, estrelado por Robert Downey Jr. e Jude Law.

Hoje, no 221 Baker Street em Londres fica o The Sherlock Homes Museum.

Há uma estátua em homenagem a Arthur Conan Doyle em Crowborough, onde ele viveu por 23 anos, assim como uma estátua de Sherlock Holmes em Picardy Place, Edimburgo, Escócia, próximo à casa onde Arthur Conan Doyle nasceu.

Sir Arthur Conan Doyle morreu de ataque cardíaco aos 71 anos de idade e suas últimas palavras foram para sua esposa: "Você é maravilhosa."

IV) PENSAMENTO LIVRE

Às vezes, cercados de dúbios cuidados, demora, e perguntas e respostas que fazemos e respondemos para nós mesmos, num suspeito círculo vicioso, tomamos uma decisão para não cometer um erro, e, mal nos apercebemos que já o estamos cometendo.

sábado, 2 de julho de 2011

I) CRÔNICAS

TERNURA

Ela, já por hábitos desapercebidamente adquiridos, cuida mais das coisas que dos sentimentos e dos sentidos.

O coração, no vazio desalentado e solitário, em meio à multidão que a cerca, não encontra a titânica âncora sem pudor para expandir os desejos contidos dos quais vagamente se dá conta, mas não busca e não sabe materializar.

Tudo parece estar bem, mas o caminhar de olhar fixo no chão é o retrato do confinamento das suas possibilidades.

Seu sol não é tão brilhoso nem suas estrelas tão cintilantes.

Tem uma vida institucionalizada, com família, trabalho e amigos.

Cuida do corpo e do jeito, mas lhe falta o calor do doce olhar, o abraço terno e forte, o alguém que a chame de doce mulher.

Falta-lhe o cuidado do amor desabrido, da paixão devotada.

É mais uma solitária cercada de outros bens, que não os do espírito, da pele e do coração, por todos os lados!

HEDONISMO

Não querem todos ser felizes, mesmo sendo a felicidade uma abstração do espírito, e não uma concretitude?

O ser humano é um hedonista, e, como tal, busca o prazer individual e imediato, olvidando o bem comum e não praticando a generosidade, porque não sabe ser magnânimo, desprovido de grandeza de alma, como geralmente o é!

II) MESTRES

"Os laços de sangue são muito frágeis quando nenhuma afeição os reforça." - Marguerite Yourcenar, escritora francesa, em 'Memórias de Adriano.'

III) LITERATOS

Ernest Hemingway, escritor norte-americano, nasceu em Oak Park em 21 de julho de 1899 e faleceu em Ketchum em 2 de julho de 1961.

Era parte da comunidade de escritores expatriados em Paris, conhecida como 'geração perdida', nome inventado e popularizado por Gertrude Stein. Levando uma vida turbulenta, casou-se 4 vezes, além de ter tido vários relacionamentos românticos.

Ainda muito jovem, decidiu ir à Europa pela primeira vez, quando a 1ª Grande Guerra (1914-1918) assombrava o mundo. Tentou alistar-se, mas foi preterido por uma problema na visão. Acabou conseguindo uma vaga de motorista de ambulância na Cruz Vermelha.

Na década de 1930, após dois dias de pescaria em alto-mar, vai parar em Havana, capital cubana, onde viveria por 23 anos.

Entre romances, não-ficção e contos, escreveu A Farewell to Arms (1929), transformado em filme em 1957, com Rock Hudson, Jennifer Jones e Vitorio de Sica, O Velho e o Mar (1952), com o qual ganhou o Prêmio Pulitzer de 1953 e o Nobel de Literatura de 1954, que foi para as telas em 1958 com Spencer Tracy, e Por Quem os Sinos Dobram (1940), lançado em 1943, com Gary Cooper e Ingrid Bergman.

Ao longo de sua vida de escritor, o tema de suicídio aparece em escritos, cartas e conversas com muita frequência. Seu pai suicidou-se em 1929 por problemas de saúde e financeiros. Sua mãe, Grace, dona de casa e professora de canto e ópera, o atormentava com sua personalidade dominadora. Ela enviou-lhe pelo correio a pistola com a qual o seu pai havia se matado. O escritor, atônito, não sabia se ela queria que ele repetisse o ato do pai ou que guardasse a arma como lembrança.

Aos 61 anos e enfrentando problemas de hipertensão, diabetes, arteriosclerose, depressão e perda de memória, Hemingway, tomando do fuzil de caça, disparou contra si mesmo.

..........Trecho de 'Adeus às Armas'.............

"Num sábado à tarde em maio de 1937, um jovem e um velho camponês chamado Anselmo contemplam o campo do cimo de uma colina. O jovem é Robert Jordan, um universitário americano que luta ao lado dos Republicanos contra os facistas durante a Guerra Civil Espanhola. Anselmo está guiando Robert Jordan atrás das linhas inimigas para se juntar a um pequeno bando de guerrilheiros perto da ponte que Robert Jordan foi instruído a destruir."

IV) PENSAMENTO LIVRE

A palavra é, geralmente, usada como uma espada, seguras pelo punho do espírito crítico e do inato ânimo de julgar e punir do ser humano, que não permite que ele a use com bons modos e elegância, como se fosse uma flor.