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sábado, 26 de março de 2011

I) CRÔNICAS
MARCAS DESAPERCEBIDAS
Viver é consumir-se em anos e marcas desapercebidas, enquanto às nossas vidas juntam-se amores, desamores, dores, alegrias e impressões.
A música, os filmes, as viagens, as palavras ditas, os acontecimentos pelo mundo vasto, lugares onde jamais iremos, mas dos quais nos inundaremos de informações pela televisão, pelos jornais e pela veloz internet, serão as imagens retidas e adormecidas que comporão a sinfonia da nossa vida.
No fastio da rotina do dia a dia, não nos damos conta de pessoas com quem jamais conversaremos ou jamais tocaremos, assim como acontecimentos dos quais jamais participaremos, mas que deixarão, em algum momento, uma marca na nossa alma ou na nossa lembrança.
Um dia, as marcas adormecidas no nosso microcosmo, são despertadas pelo choque do fim das pessoas com as quais jamais falamos ou jamais tocamos, mas que alcançaram nosso coração ou nossa memória, num fugaz momento de eterna lembrança!
MOMENTO CERTO
Ela gostaria de resolver todas as sua pendências: o olhar não correspondido; o ultraje não respondido; a palavra inoportuna; a oportunidade perdida; o sentimento não revelado; o ressentimento não esclarecido; o sucesso não alcançado; a lição não aprendida; o tempo não aproveitado.
Tinha todos os arrependimentos, mas não tinha mais todos os tempos.
Os momentos já se foram, os motivos deixaram de ser, e as pessoas haviam partido.
Só havia memórias remoídas em angustiosos ressentimentos e lamentos.
O tempo, senhor de muitas razões, era para ela inútil conselheiro.
Tinha todo o tempo, mas também todas impossibilidades porque se olvidou nos momentos certos!
II) MESTRES
" A vida, por si só, é vazia. As pessoas que vivem em sociedade, que gostam de olhar os outros nos olhos, que compartilham seus problemas, que concentram seus esforços no que é importante para elas e encontram alegria nisso, essas pessoas levam uma vida plena. "
Albert Einstein (1879-1955), cientista e filósofo alemão.
III) LITERATOS
Joaquim Nabuco nasceu na cidade de Recife em 19/08/1849 e faleceu em Washington em 17/01/1910.
Formado pela Faculdade de Direito de São Paulo, foi político, diplomata, historiador, jurista, jornalista, poeta e memorialista.
Fundou a Sociedade Antiescravidão Brasileira, sendo um dos responsáveis pela Abolição em 1.888.
Foi embaixador do Brasil nos Estados Unidos da América, de 1905 a 1910.
Ao lado de Ruy Barbosa, assumiu lugar de destaque na luta pela liberdade no Brasil que, na época, tinha a religião católica como oficial, defendendo a separação entre Estado e religião.
Entre suas obras: Camões e os Lusíadas (1872); O Abolicionismo (1883); Escravos (1886); Minha formação (1900).
Trechos de discurso proferido em 15/05/1879, que abrangia tanto o tema de educação pública, quanto da separação entre Estado e religião:
" A Igreja Católica foi grande no passado, quando era o cristianismo, quando nascia no meio de uma sociedade corrompida, quando tinha como esperança a conversão dos bárbaros que se agitavam às portas do império minado pelo egoísmo, corrompido pelo cesarismo, moralmente degradado pela escravidão. A Igreja Católica foi grande quando tinha que esconder-se nas catacumbas, quando era perseguida. Mas, desde que Constantino dividiu com ela o império do mundo, desde que de perseguida ela passou a sentar-se no trono e a vestir a púrpura dos césares, desde que, ao contrário das palavras do seu divino fundador, que disse: 'O meu reino não é deste mundo.' - ela não teve outra religião senão a política, outra ambição senão o governo, a igreja tem sido a mais constante perseguidora do espírito de liberdade, a dominadora das consciências, até que se tornou inimiga irreconciliável da expressão científica e da liberdade intelectual do nosso século.................................................
Não sou inimigo da Igreja Católica. Basta ter ela favorecido a expansão das artes, ter sido o fator que foi na história, ser a igreja da grande maioria dos brasileiros e da nossa raça, para não me constituir em seu adversário. Quando o catolicismo se refugia na alma de cada um, eu o respeito, é uma religião da consciência, é um grande sentimento da humanidade. Mas do que sou inimigo é desse catolicismo político, desse catolicismo que se alia a todos os governos absolutos, é desse catolicismo que em toda parte dá combate à civilização e quer fazê-la retroceder. " (fonte: Enciclopédia Wikipidia)
IV) PENSAMENTO LIVRE
A imaginação pode fazer do micro, macro; do minúsculo, maiúsculo; do átomo, um corpo celeste.
Na criança, a imaginação pode ser um mundo de felicidades, porque ela tem as ferramentas da inocência para construi-lo.
No adulto, a imaginação pode ser um mundo de ilusões e frustrações, porque nele, a inocência da simplicidade se foi há muito!

sábado, 19 de março de 2011

I) CRÔNICAS
A DESCONSTRUÇÃO DA VIDA
A natureza, na sua zanga, pode se transformar num terrível e incontrolável, embora cíclico, predador do homem e das suas conquistas.
Mas, o mais contumaz dos destruidores é o próprio homem, que, desapercebido do desamor por si próprio, e inconsciente dos mais básicos valores da existência humana, arremete sua intolerância contra seus 'semelhantes.'
Sem formação moral, espiritual e carentes de exemplos consistentes na vida familiar, nas instituições de ensino, nas lideranças políticas, que podem construir ou desconstruir os referenciais éticos e morais da conduta pessoal e coletiva, e na absoluta ausência da religiosidade, ceifam, por motivos os mais fúteis, a vida dos inocentes, dos seguidores dos melhores valores de uma vida dígna.
São praticantes de um hedonismo amoral e maléfico que se satisfaz no prazer pela destruição, na desvirtuação que existe nas sociedades onde os sólidos valores da cidadania e do respeito pela vida humana ainda são muito fragéis!
DISTANCIAMENTO
Não se involve em repetitivas e inócuas trocas verbais cuja monta apenas ajuda o entretenimento da passagem do tempo, e onde o poder de resolução das questões não está entre os debatedores.
Reserva-se para os irrefutáveis enfrentamentos estabelecidos pelo organismo social, para as obrigatoriedades da vida em sociedade, em suas dezenas de milhares de ordenamentos, restrições e punições por procedimentos omissivos e comissivos, e outros descaminhos de condutas preestabelecidas.
Prefere o poder de observação que o distanciamento lhe dá, e o leve sopro da serenidade que o aconselham na emissão de juízos de valores.
Quer sempre chegar em casa à noite, na inteireza do seu corpo, e ileso na sua dignidade!
II) MESTRES
" Dediquei uma parte da minha vida às letras e creio que uma forma de felicidade é a leitura; outra forma de felicidade é a criação poética, ou aquilo que chamamos de criação, que é uma mistura de esquecimento e lembrança daquilo que lemos.
Emerson coincide com Montaigne na opinião de que devemos ler unicamente aquilo que nos agrada, que um livro tem de ser uma forma de felicidade.
Devemos tanto às letras. Eu tratei mais de reler que ler, salvo que para reler é necessário ter lido.
Eu tenho esse culto do livro. "
Jorge Luiz Borges, escritor argentino (1899-1986).
III) LITERATOS
Carlos Heitor Cony, escritor e jornalista, nasceu no Rio de Janeiro em 14 de março de 1926.
Estou em seminário até quase ordenar-se.
Apoiou e depois se opôs abertamente ao golpe militar de 1964, sendo forçado a se demitir do jornal Correio da Manhã onde era editorialista.
Atualmente recebe pensão do governo federal em decorrência da legislação que autoriza o pagamento de indenização aos que sofreram danos materiais e morais vitimados pela ditadura militar.
Já publicou contos, crônicas e romances.
Seu romance mais famoso é Quase memória, de 1995.
Entre seus romances: O Ventre (1958), A Verdade de Cada Dia (1959), O Piano e a Orquestra (1996), O adiantado da Hora (2006).
Seus contos: Quinze anos (1965), O Burguês e o Crime e Outros Contos (1997).
Obras infanto-juvenis: Uma História de Amor (1978), O Laço Cor-de-Rosa (2002).
É editorialista do jornal Folha de São Paulo.
É membro da Academia Brasileira de Letras.
De suas obras:
" Não dá para viver sem um truque.
À noite, enquanto espera o sono,
esboçe novos planos que lhe tragam,
se não a glória,
pelo menos o suficiente para
continuar a fazer novos planos
para um amanhã.
Pode ser um amanhã simples,
modesto, que seja apenas um amanhã. "
IV) PENSAMENTO LIVRE
Às vezes, basta um segundo, um gesto, uma palavra, até do que ou de quem menos se espera, para que anos de cristalizado modo de pensar se estilhassem em novas razões e caminhos de luzes restauradoras.

sábado, 12 de março de 2011

I) CRÔNICAS
CEGUEIRA
Segurou seu cartão com o qual recebe a sua aposentadoria, à frente dos olhos.
Tinha dificuldades para dizer a si mesma, no impertinente silêncio do seu solipsismo, onde ninguém a vê, ouve ou diverge, a idade que tinha.
Recusava-se a ser idosa, a ter artrose, a ser aposentada e a admitir que se esquecia de coisas simplórias com facilidade e era chamada de senhora, que não lhe parecia questão de respeito, e sim por ter mais idade.
Achava-se jovem de espírito, o que era, como se isto fosse impeditivo para as rugas, os cabelos brancos, a limitada mobilidade física, as constantes idas aos médicos, a pressão alta e a dieta restritiva.
Lamentava-se que ninguém a olhava com desejo, esquecendo-se que o jovem e o belo têm sua estética contemplada por um determinado tempo, e o mais velho e carregado de virtuosos anos vividos, é admirado ou respeitado e contemplado pela sua cultura, conhecimentos, riqueza criativa, sabedoria e generosidade.
Ela cuidou, a vida toda, da sua superfície, e descuidou-se do seu espírito.
Não tem nada a oferecer a si própria e aos outros, a não ser sua angústia de não ser mais jovem.
Para seu mórbido consolo, o ser humano não vive tanto quanto uma montanha!
VOZ DE INCLUSÃO
Seu elemento de inclusão é seu instrumento musical.
Tímido, pouco fala. Sua voz, é seu pequeno bandolim.
Sua taciturnidade se desfaz quando seu bandolim ressoa seus acordes.
Que seria, que faria, se sua alma, intrinsicamente reclusa na sua quietude, não tivesse como amado, seu bandolim, seu elemento de comunicação.
Seu instrumento é falante e alegre, e, então, sua timidez é sublimada.
Sua quietude é o refúgio da sua alma, seu bandolim, seu grito de liberdade!
II) MESTRES
" Resistir sem violência não quer dizer não fazer nada. Significa fazer o esforço enorme que se requer para vencer o mal com o bem. Esse esforço não confia em músculos fortes nem em armamentos diabólicos; confia no valor moral, no domínio de si mesmo e na consciência inesquecível e tenaz de que não há um único homem sobre a terra (por mais brutal, por mais pessoalmente hostil que seja) sem um fundo nato de bondade, sem amor à justiça, sem respeito pelo verdadeiro e bom, que podem ser alcançados por todo aquele que usar os meios adequados. "
Aldous Huxley (26/07/1894 - 22/11/1963), pensador, em 'An Encyclopedia of Pacifism .'
III) LITERATOS
Elisa Barreto (17/7/1919-18/08/2005) iniciou sua carreira em princípios da década de 1960, estimulada por grandes nomes da nossa literatura como Cassiano Ricardo, Guilherme de Almeida e Menotti de Picchia.
Produziu uma poesia numa linguagem feita de canto, de belezas expressionais num tom suave de lirismo, onde vai tecendoa sua rede de palavras, seu mosaico de emoção.
A revista inglesa 'Times of Brazil', edição de Natal de 1963, publicou, em destaque, o poema 'Lágrimas e Flores para o Presidente da Paz', que Elisa Barreto escreveu sobre a morte trágica de John F. Kennedy, dos Estados Unidos, cujo original se encontra na Biblioteca da Universidade de Harvard.
Foi funcionária da Justiça, e imortal da Academia de Letras de Campos do Jordão e da Academia Joseense de Letras, na sua primeira constituição.
Entre suas obras: Sonetos; Canção de Agradecer; Caminhos de Mim; Poesia.
De seu livro 'Tecendo o Infinito':
'Tecendo o Infinito'
Se tenho sede tu me ofertas vinho,
se sou condor me chamas passarinho.
Vou galopar na crista de uma onda,
na lâmpada dourada de Aladim,
e o sol que é meu amigo não se esconda
quando me vir volatizada assim.
Se sou sereia tu me queres Diana,
se sou amor me chamas de profana.
Vou palmilhar as jardas da amplidão
com as linhas do meu corpo-carretel.
Alcançarei as nuvens com a mão
e elas serão doçura em meu farnel.
Se devaneio dizes tu: "labora",
se em lides sofro, teu sorriso chora.
Vou ser a rósea concha em mar bravio
e ouvir a voz das águas revoltadas;
atear o fogo onde imperar o frio,
e reaquecer as regiões geladas.
Se me lamento tu me dizes: "canta"!
E a minha voz teu ânimo levanta.
Vou conversar com meu irmão de Marte
e lhe pedir que mande o elevador,
-aquele que me leva a toda parte,
onde não mora a morte nem a dor.
Se gargalhando, às vezes, perco o siso,
vejo o perdão pintado em teu sorriso.
Vou inflar como a alma de um gigante,
ser um Ícaro novo, um potentado,
depois pousar num híbrido elefante,
de patas de marfim e dorso alado.
Se fogem-me as lembranças da retina,
me emprestas a memória peregrina.
Eu teço o indefinido e o impreciso
e não me culpas de tecer assim,
com fios e linhas desse paraíso,
onde os rumos não têm princípio ou fim.
Se o tempo voa dizes tu: "Que importa?"
"Tu viverás, embora estando morta."
IV) PENSAMENTO LIVRE
A incessante falta de gentilezas, o marcado individualismo, a desmedida ambição e a estigmatizante presunção são as gárgulas que afeiam as relações humanas.

sexta-feira, 4 de março de 2011

I) CRÔNICAS
ENCANTOS DA NOTORIEDADE
Há algo de naturalmente mágico em se ser exótico, em se falar outra língua enquanto todos os outros falam a mesma, em se ser um excepcional atleta, em se ser um virtuose em algum instrumento musical, em se ser muito rico, ou, simplesmente, muito famoso.
Há, por parte da multidão, dita anônima, uma gentil deferência, uma dissimulada admiração, respeito e simpatia para com eles.
As portas do mundo se abrem mais ainda para eles, como se disso precisassem, como se seus atributos, hereditários ou conquistados, não fossem o suficiente.
Pessoas com duas vidas: uma intimista e real, a outra, de todos e de palco.
Na sua intimidade, são comuns mortais, com suas dores e amores, mas, no grande palco do mundo, quer seja em efêmera ou duradoura glória, são como deuses do Olimpo!
MUNDO DA POLÍTICA
A vida na política, muito frequentemente, não tem um lineamento lógico, ético e humanista, onde fazer o bem para a coletividade é o grande ideal a ser alcançado.
A política é uma enorme teia de interesses, pressões, desgastes, alianças desconexas e de ocasião, palavreado duro à vista das aparências e conciliador no recôndito dos necessários entendimentos, de inimizade mortal um dia e fraternidade universal no outro.
Políticos podem provocar a intranquilidade da família, perder a saúde, os 'amigos' e a fortuna, na busca e manutenção do poder, que é muitas vezes temporário, mas poderosamente afrodisíaco.
Montesquieu (Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu - 1689-1755), considerado um homem calmo, honesto e bom, estabeleceu a tripartição de poderes (executivo, legislativo e judiciário), inimigo do despotismo que era.
Niccolò Maquiavel (1469-1527), viveu em Florença, ao tempo de César Bórgia e do papa Julio II, o corpo a corpo com a conflituosa realidade político-administrativa, descrevendo os homens de carne e osso, falíveis, guiados por desejos e ambições, capazes de vinganças terríveis e com uma sede insaciável de poder.
Em 'O Príncipe', escrito em 1513, disse que 'em política só se deve ter em mente os fins a atingir, sem se deixar dominar por preconceitos de ordem moral.'
A vida política é um gigantesco labirinto de contradições onde convivem idealistas e interesseiros, e poucos conseguem sobreviver incólumes dentro de seus turbulentos territórios.
A vida política não é para sonhadores ou poetas!
II) MESTRES
" É impossível, por mais que se queira, elevar os conhecimentos do povo, acima de certo nível. Já será muito facilitar os princípios dos conhecimentos humanos, melhorar os métodos de ensino e colocar a ciência a preços acessíveis, jamais se fará com que os homens se instruam e desenvolvam a sua inteligência, sem consagrar tempo a isso.
A facilidade maior ou menor que o povo encontra para viver sem trabalhar, constitui pois o limite necessário dos seus progressos intelectuais. "
Alexis de Tocqueville (1805-1859), em 'A Democracia na América.'
III) LITERATOS
Mário Quintana, nasceu em Alegrete, Rio Grande do Sul, em 30 de julho de 1906 e faleceu em Porto Alegre em 5 de maio de 1994.
Foi poeta, tradutor e jornalista.
Considerado 'o poeta das coisas simples', com um estilo marcado pela ironia, pela profundidade e pela perfeição técnica, ele trabalhou como jornalista quase toda sua vida.
Em 1940, ele lançou o seu primeiro livro de poesias, A Rua dos Cataventos, iniciando sua carreira de poeta, escritor e autor infantil.
Não se casou nem teve filhos.
Solitário, viveu grande parte da sua vida em hotéis: no Hotel Majestic em Porto Alegre, e depois no Hotel Royal, de propriedade do ex-jogador da seleção brasileira, Paulo Roberto Falcão, que cedeu a ele um quarto.
Em 1982, o prédio do Hotel Majestic, marco arquitetônico de Porto Alegre foi tombado, depois adquirido pelo governo estadual e transformado na Casa de Cultura Mario Quintana.
Três vezes candidato a uma vaga à Academia Brasileira de Letras, não sendo eleito, ao ser convidado para candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou.
Da sua obra 'Esconderijo do tempo':
'Seiscentos e sessenta e seis'
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo......
Quando se vê, já é 6ª feira......
Quando se vê, passaram 60 anos......
Agora, é tarde demais para ser reprovado......
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio,
seguia em frente, sempre em frente......
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
IV) PENSAMENTO LIVRE
O cotidiano impõe ao ser humano, em maiores ou menores proporções, controversos obstáculos, criados por ele mesmo ou por absurdas circunstâncias.
Em sua imensa incapacidade de encontrar alegrias nas coisas mais simples, frustrado que quase sempre está, com sua própria condição, e com supostas impossibilidades, amargura-se e frustra-se nas pífias tentativas de livrar-se dos fantamas de si próprio.
Carrega consigo um peso que não é o tolerável pelo seu corpo,
mas sim um amargurado fardo gerado pela fragilidade das suas convicções!