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sábado, 30 de outubro de 2010

ETERNIDADE

ETERNIDADE
No ocaso da existência física, carência de luz, fiapo de brilho.
Lento caminhar sem ir a nenhum lugar.
A magestade do esperançoso crepúsculo matutino ofereceu-lhe a eternidade.
Não iria morrer nunca.
O mundo da sua pequena existência, aqui e acolá, dele se lembraria, em ínfimos instantes daquele que foi, mas que aceitando-se finito na sua matéria, sabia que para sempre não seria.
Glória efêmera sem fardão, nem galardão.
Pequeno literato, um tanto culto pelas leituras, mais sábio pela vida.
Aprendeu de ouvido, não por nota, que na vida, fecha-se uma, mas abre-se outra porta!
PAI
Não foram muitas as palavras trocadas.
Tampouco, os afagos.
Sentado à cabeçeira da mesa, no constrangedor silêncio das distâncias ressentidas.
A pressa no sorver sucos no frugal repasto, em descompasso com o vagar no digerir dos pensamentos.
A gravidade no olhar sem severidade, antes, com natural autoridade.
O menino, afoito, sentado à outra ponta da mesa, acuado pela alegria ausente, tem que limpar o prato antes de pular da mesa para simplórias brincadeiras felizes.
Um dia, a quietude e o sereno olhar de gravidade não estavam mais à cabeçeira.
Estava sentada em seu lugar uma imensurável ausência.
Ausência maior que as palavras não ditas e os afagos não sentidos.
Não havia mais um bem maior, não havia uma presença serena a transmitir paz e segurança, bens mais sólidos que afagos e moedas!
INTELECTUAL
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criou uma fundação, o Instituto Fernando Henrique Cardoso, em 2004, nos moldes das bibliotecas presidenciais americanas, com doações de empresários, onde conserva toda sua documentação presidencial e promove palestras e debates sobre o futuro do país.
Fora do Brasil, o ex-presidente, que é doutor Honoris Causa por várias universidades pelo mundo, tem contrato com a Brown University onde ganha 70 mil dólares por ano, com a obrigação de passar no mínimo quatro semanas dando aulas lá. Faz também palestras em outros países. Fala 4 línguas, sendo 3 delas muito bem, o que lhe dá muita mobilidade de comunicação.
Ficou amigo do ex-presidente Bill Clinton, e na cidade natal do ex-presidente, Little Rock, no estado de Arkansas, onde fica o William J. Clinton Presidential Center, entre documentações, várias atividades, uma cópia em tamanho real do Salão Oval da Casa Branca e biblioteca, há um painel com imensas fotografias dos doze líderes mundiais que mais impressionaram Bill Clinton, entre os quais está o ex-presidente brasileiro.
Bill Clinton e o também ex-presidente Jimmy Carter, que tem o Carter Center em Atlanta, fazem palestras e participam de missões diplomáticas pelo mundo.
Logo ao deixar a presidência, Fernando Henrique Cardoso recebeu 150 mil reais para escrever um livro, enquanto Bill Clinton, nas mesmas circunstâncias, recebeu 150 milhões de dólares, mas ambos integram, juntos, um seleto clube de ativos ex-presidentes intelectuais e globais.
COMO GOSTA DE ESCREVER
" De manhã, em qualquer ambiente onde possa reunir três amigos: café, solidão e silêncio. " - Cassiano Ricardo (1894/1974), poeta joseense, imortal da Academia Brasileira de Letras e Patrono da Academia Joseense de Letras. - FCCR em revista, pág. 17, edição 11, outubro 2010.

sábado, 23 de outubro de 2010

ESCREVER

INDIFERENÇA
Um dia, não muito distante, tanta pressa e superficialidade há, os relacionamentos terão três centímetros de duração.
As emoções serão uma ilha, um corpo cercado de indiferença e egoísmo por todos os lados.
Sem conhecimentos literários que guiem a compreensão, o entendimento e o respeito, cada um buscará o utilitarismo nas relações humanas, a busca do prazer individual, priorizando seu bem-estar, seu modo de ser e seus sentimentos mais primitivos.
Um dia, diremos 'bom dia' e 'até logo', quando muito!
INSENSIBILIDADE
Ouve, mas não escuta.
Vê, mas não enxerga.
Lê, mas não compreende.
Fala, mas não transmite.
Estuda, mas não aprende.
Toca, mas não sente.
Vive, mas não sabe que, como uma planta, vegeta!
COMO GOSTA DE ESCREVER
" De manhã, em qualquer ambiente onde possa reunir três amigos: café, solidão e silêncio. " - Cassiano Ricardo (1894/1074), poeta joseense, membro da Academia Joseense de Letras - revista da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, pág. 17, edição 11, outubro 2010.

sábado, 16 de outubro de 2010

EQUÍVOCO

CONVIVÊNCIA
Acha-se um peixe fora d'água.
Não muda de canal o tempo todo.
Não assiste novela uma após a outra.
Não reclama de qualquer coisa.
Não vai almoçar no shopping ao meio-dia dos domingos.
Não xinga os outros motoristas por qualquer motivo.
Não se impacienta ao aguardar sua vez no consultório médico.
Não reclama do salário.
Não acha todos os políticos desonestos.
Não grita com seus filhos.
Não critica os outros gratuitamente.
Não se acha o dono da verdade.
Não diz que 'nem Jesus Cristo era perfeito' quando precisa justificar os erros que comete.
É um peixe fora d'água.
Vive fora do seu tempo.
É um estranho no enorme ninho dos iguais!
CONTRASTES
Presença, ausência.
Amor, desamor.
Alegria, tristeza.
União, desunião.
Ânimo, desânimo.
Convergência, divergência.
Frio, calor.
Preto, branco.
Norte, sul.
São opostos!
Já se amaram, não mais se amam.
São agora dicotomia!
Como num poema sem ternura, são opostos!
UTOPIA
Thomas More (1478-1535) foi canonizado em 1.935, quatrocentos anos depois de ter sido decapitado pelo rei Henrique VIII (1491-1547) da Inglaterra.
Formado em direito na tradicional universidade de Oxford, foi membro do Parlamento inglês, juiz e chancelar de Henrique VIII.
Sua obra mais notável foi o livro UTOPIA, onde, num país imaginário, ninguém precisa de dinheiro para fazer compras; onde todos plantam, colhem e levam para um armazém de uso comum; onde um governo organizado da melhor maneira, proporciona ótimas condições de vida a um povo equilibrado e feliz; onde as leis são debatidas por todos antes de ir à votação e a liberdade religiosa é total.
Seu país, é uma verdadeira utopia, uma fantasia, levando-se em consideração a natureza do gênero humano.
Católico fervoroso que era, Thomas More discordou do divórcio de Henrique VIII, que desejava casar-se com Ana Bolena, discordância que não impediu que o rei inglês se separasse do domínio papal e criasse a Igreja Anglicana.
As virtudes éticas de Thomas More, sua integridade e sua força moral o levaram a perder a vida, num tempo em que os caprichos dos reis eram a lei.
Nos tempos hodiernos, as notáveis virtudes de Thomas More são as utopias da vida política, onde uma maioria incongruente e despreparada, originada do nosso incauto meio social, se rende e se vende por um efêmero poder, privilégios e outros incontáveis benefícios materiais.
Thomas More, com sua integridade, deveria ter vivido nos tempos de hoje!
EQUÍVOCO
" Não devemos apenas fingir que amamos a sabedoria, mas sim a amar realmente. Também não nos é proveitoso termos aparência saudável, mas sim possuirmos verdadeira saúde. " - Epicuro (341-270 a.C.), filósofo grego.

sábado, 9 de outubro de 2010

SONHO

A LIBERDADE NO SONHO
Sonha um sonho nunca sonhado.
Sonha um voo.
Sem asas de cera como Ícaro.
Nada tem a derreter, só a temer.
Sonho ou realidade, não se apercebe que sonha.
Os braços abertos no mergulho nas profundezas do vazio.
A palpitação, o susto.
Acorda em sobressalto.
Vira-se para o lado e contempla, em turva visão de segundos, o companheiro em ressonante sono.
Cerra os olhos.
Quer sonhar novamente.
Quer ser Ícaro sem asas de cera.
Quer voar do lugar comum onde as emoções são como que um sonho distante.
Quer ser Ícaro sem asas de cera.
Quer voar sonhos e desejos secretos em arrebatados tremores.
Quer sonhar, não quer acordar.
Quer a ilusão, não quer a árida realidade!
INDEPENDÊNCIA
Modos, bons modos, delicados modos.
Sem modos, poucos modos, rudes modos.
Sozinha em lugares, nas ruas, nos bares, em todos os lugares.
Tempos outros!
Liberação, conquistas, direito de voto.
Não mais a submissão, o lar, a prole, o recato, o casamento arranjado, a resignação, os tornozelos cobertos.
A faculdade, a profissão e a força para dizer não.
A dupla jornada.
O prazer difícil em meio à falta de carinho.
Ainda assim, com lapsos, a graça da feminilidade.
Graça, encanto, também desencantos.
A mulher desses tempos é relicário de indecifrável mistério!
DEMOCRACIA
A democracia, governo do povo, idiossincrasias consideradas, é uma forma de governo de díspares.
Essa liberdade multiétnica e multifacetada é que permite a presença dos mais variados modelos de candidatos a cargos na vida pública, que, uma vez eleitos, serão os dirigentes responsáveis pelas políticas sociais e econômicas que afetam a vida de milhares de pessoas que constituem uma determinada realidade histórica e geográfica, uma nação.
Nossa diversificada etnia, com seus limitados dotes de educação formal, faz muitas vezes escolhas bizarras, ou ao menos comprometedoras, quando chamada, na sua obrigatoriedade, o que não é democrático, a escolher seus gestores.
Foi assim em outros tempos, é assim, e deverá continuar assim.
Afinal, é uma democracia, felizmente, com todas suas distorções, e nela, as oportunidades são um direito de todos!
ÉTICA
" Resulta o bem quando se age com beleza e justiça, resulta o mal, se se procede com iniguidade. " - Platão (428/427 a.C - 348/347 a.C), filósofo grego, em 'O Banquete'.

SONHO

A LIBERDADE NO SONHO
Sonha um sonho nunca sonhado

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

TRAVESSIA

DE VOLTA PARA O FUTURO
01. Em 1892, a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil estava constituída para estudar e demarcar a área do futuro Distrito Federal, em cumprimento ao determinado no art. 3º da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, que havia sido promulgada em 1891.
Somente quase 70 anos depois, no Governo Juscelino Kubitschek, de 1955 a 1960, Brasilia seria construída, e o Brasil, graças ao empreendedorismo do seu presidente teria seu novo Distrito Federal.
02. Em 1893, a população da cidade de São Paulo seria surpreendida pela circulação na então rua das lojas elegantes, a Rua Direita, por um automóvel.
Movido a vapor, o Daimler inglês de patente alemã, era de propriedade de Henrique Santos Dumont, e chamava a atenção numa época de muito pouco trânsito, com carruagens, charretes, bondes puxados a burros, e muitos pedestres pelas ruas.
Foram-se todos eles, engolidos pelo progresso.
Sobraram hoje, milhares de veículos de todos os tipos e tamanhos, barulhentos e apressados, trazendo junto comodidades e tragédias, e confinando os pedestres às nem sempre seguras calçadas!
03. Em 1896, na França, os irmãos Lumière inventaram e patentearam uma câmara cinematográfica capaz de copiar e projetar filmes com cenas animadas. Em 1898, o brasileiro Afonso Segreto trouxe um desses aparelhos para o Brasil.
Daí para os dias atuais, o cinema se transformou no mágico entretenimento que a todos encanta, marcando, das maneiras as mais diversas, a vida de todos!
NUNCA É TARDE
Nos anos 1930, Gloria Stuart foi atriz principal em vários filmes em Hollywood, mas sua carreira não tinha o brilho de outras atrizes do seu tempo como Katherine Hepburn e Loretta Young.
Quando os estúdios que a tinham sob contrato não o renovaram, não foi atrás de outro.
Largou a fama e a vida glamorosa em 1946 e dedicou-se com sucesso à pintura e à gravura.
Uma vida quase, cinquenta anos, se passaram então, até que o diretor James Cameron, de Titanic, procurando por uma atriz aposentada dos anos 30 ou 40, a achou num dos livros 'O que aconteceu com', que descrevem a odisséia dos um dia famosos, que as rodas do destino colocaram no limbo do esquecimento.
Ela fez o papel de Rose Calvet, a mulher de 100 anos de idade, sobrevivente do naufrágio do Titanic em 1912, que conta ao seu interlocutor, o trágico acontecimento.
Ela tinha então 87 anos de idade e foi indicada para o Oscar devido à sua interpretação.
Ela faleceu em Los Angeles nesta última semana, e tal qual seu último personagem, tinha 100 anos de idade.
Nada é para sempre! Nunca é tarde! A vida é um carrossel girando em torno da alegria e tristeza; amor e desamor; fortuna e pobreza; ganhos e perdas; sorte e azar; ódio e compreensão; pressa e vagar; egoísmo e generosidade; fama e ostracismo.
Sobreviver a tudo é ter sorte, prudência, entendimento e serenidade!
TRAVESSIA
A finita brevidade da vida!
Fazemos mal feito ou deixamos de fazer coisas que poderiam encher nossas almas e nossos sentidos, em nome de algo que poderíamos chamar de certo ou errado, regras, princípios, freios naturais, virtudes e um tanto mais de proibições escritas em algum lugar ou em lugar nenhum, como se fôssemos viver até um longínquo e inimaginável futuro.
Deixamos de caminhar pelo arco-íris, de sermos felizes como Pollyana, não viajamos pelo país das maravilhas como Alice, nem paramos para ouvir o Pequeno Princípe.
A vida do ser humano é como a natureza: a noite e o dia; o sol e a chuva; o vento avassalador e a brisa refrescante; o florescer e o fenecer.
Todos têm seu modo e tempo de ser!
Temos que caminhar nossos caminhos como eles se nos apresentam, buscando as virtudes do equilíbrio aristotélico do meio-termo.
Virtude será não carregar todas as bagagens, porque, algumas delas nos são impostas por forças que não podemos impedir ou controlar!
O MUNDO REAL E OS SONHOS
Real - O trânsito selvagem, os impostos, a agressividade gratuita, a falta de gentilezas, as brigas inúteis, o desrespeito puro e simples, as contas a pagar e o desamor!
Sonhos - Os desejos secretos, a mansidão do ócio temporário, a doçura dos olhos nos olhos, a segurança que muito dinheiro pode prover, a paz!
CONVENIÊNCIA
".....os homens geralmente são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ambiciosos de dinheiro, e enquanto lhes fizeres bem, todos estarão contigo....." - Niccolo Machiavelli, político e historiador italiano em 'O Princípe'.