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sábado, 31 de julho de 2010

TALENTO

TALENTO
Emily Brontë (1818-1848) foi autora de uma única obra: O morro dos ventos uivantes, que está entre os grandes clássicos da literatura mundial de todos os tempos.
Não foi sua única obra por falta de inspiração, mas sim devido à sua morte prematura de tuberculose aos 30 anos de idade.
Vinha de família de leitores apaixonados: seu pai e suas duas irmãs, que desde cedo liam a Biblia, Homero, Virgilio e Shakespeare, entre muitos outros, na biblioteca do pai.
Emily, criada num ambiente religioso e austero por seu pai, vigário, escreveu sobre a essência da maldade, do sadismo e da força destrutiva do amor, enquanto ela própria era jovem, bonita, introspectiva, tímida, não chegando a ter vida amorosa e jamais tendo saido de Yorkshire na Inglaterra.
O talento não se submete a regras! Ele pertence ao mundo e , como uma flor que recebe sol e água para brilhar, ele espraia sua grandeza da maneira mais inusitada, mais liberta e mais universal que as tolas regras do hábito, dos costumes e do conservadorismo possam permitir!
O talento é como um grande pássaro em livre e incontrolável voo pelo pelos céus da criação!
TRÊS MINUTOS
Um dia os relacionamentos durarão 3 minutos!
O ser humano vive um turbilhão de vontades num deserto árido de entregas de coração aberto!
Deseja-se para si próprio! Não se pergunta os desejos dos outros!
Ter, não entregar!
Um dia, 3 minutos bastarão para que se satisfaça o egoísmo, tão inócuo que é!
Um dia, bastarão 3 minutos para que sejamos estranhos num mundo de iguais!
LEMBRANÇAS
A lembrança nunca se dissipa no recôndito de nossa mente!
Ela apenas muda de tom, de intensidade, se abrandando indefinidamente e quase sem dor, quase sem ardor!
As boas lembranças nos alegram o espírito quando voltam à tona, as más nos castigam os sentidos!
DESILUSÃO
Vive uma vida pequena, da humilde casa em que vive, em decana construção de reboco, para o trabalho rotineiro no cinzento escritório de iguais sem emoções!
Vive uma vida pequena, sem amigos, sem família, sem criatividade, sem prestígio, sem nada a acrescentar!
Nele, o entusiamo dos outros é dormência!
Nele, a discussão inflamada e apaixonada é a mudez do espanto!
Ele é um presente, ausente!
UNO E INDIVISÍVEL
Na foto, os que cresceram, os que ficaram e os que se foram!
A vida é um jogo de imponderáveis variáveis!
A eternidade é tão efêmera quanto o sopro do vento!
Desperdiça-se amores e humores que se perdem no cipoal das imprudências e das vaidades!
Na foto, os que ficaram, não necessariamente os melhores e mais felizes, mas talvez os mais protegidos pelo destino!
Os caminhos da vida não são uma linha reta!
As regras não existem! O viver é de cada um, é uno, é indivisível! O viver quase incólume e feliz é uma dádiva!
SONHO
Tinha por ele sentimentos tão fortes e tão elevados quanto a maior das montanhas!
Tinha tanta certeza desses sentimentos quanto na certeza do amanhecer do novo dia, tanta certeza quanto o milenar, indolente e contínuo bater das águas do mar nas areias da praia!
No seu imaginário, o mundo sem ele era um enorme deserto!
O ar que respirava era o do calor da sua voz baritonada, do seu olhar contemplador e generoso, do seu toque gentil e do seu abraço terno!
Amava um sonho! Jamais se casara, e nem ao menos namorara!
Seus sentimentos eram vividos no encantamento dos seus sonhos!
Sonhos sem desavenças, desencontros e desencantos!
Sonhava uma ficção! Era feliz, mesmo sem tocar, só sentindo!
DESTINO
" Tudo já está determinado, tanto o início como o fim, por forças sobre as quais não temos nenhum controle. Tudo está determinado, tanto para o inseto como para a estrela. Seres humanos, vegetais, poeira cósmica, todos nós dançamos conforme uma música misteriosa, entoada à distância por um músico invisível. " - Albert Einstein (1879-1955), físico ganhador do Prêmio Nobel de física de 1921.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

TUDO MUDA

O CONTROLE DO TEMPO
O tempo não nos pertence!
Nossas vontades e nossos desejos não têm nenhum poder sobre ele!
Se assim fosse, o reteríamos num instante da nossa felicidade e lá o prenderíamos até o saciar da alma e dos sentidos!
As grandes emoções seriam imorredouras em toda sua tonalidade e os aborrecimentos passariam na velocidade da luz!
Os calores e os amores durariam uma eternidade, não havendo tempo para o enfado, o ódio, a mágoa, a desesperança e a ruptura que fere o coração!
Se o tempo nos pertencesse, o paraíso poderia existir, então!
FELICIDADE
Pegaram o elevador juntos. Ela, 92 anos de idade, pequena, curvada pelo corpo frágil, alegre e falante. Ele, 17, topete arrepiado, aparelho de som nos ouvidos e feições sérias!
Ele apertou o 14º andar e apertou o 6º, após perguntar a ela. Ela respondeu e emendou:
- Você está mais perto do céu do que eu!
- É, mas não quero ir pra lá ainda não, senhora!
- Eu também não! Para mim o céu é aqui!
TUDO MUDA
01.
ONTEM - O telefone, preto, pesado e fixo na sala, era caro e privilégio de alguns.
HOJE - O telefone celular é um apêndice do corpo humano.
02.
ONTEM - O tanque de lavar roupas era um dos calvários diários da dona de casa.
HOJE - A máquina de lavar roupas faz o trabalho pesado e a mulher se livrou de mais uma servidão.
03.
ONTEM - A mulher era só dona de casa.
HOJE - A mulher é executiva, profissional liberal e dona de casa.
04.
ONTEM - Morar juntos e sexo livre era só depois do casamento.
HOJE - Morar juntos e sexo livre pode muito bem ser antes do casamento.
05.
ONTEM - Ia-se até o banco para perguntar o saldo da conta bancária.
HOJE - A movimentação da conta bancária pode ser feita de casa, da rua, no escritório, em pleno voo, através da internet.
06.
ONTEM - O brilho para o assoalho era feito com a cera Parquetina, e o escovão machucava tanto as costas quanto o chicote do feitor.
HOJE - O piso é de ladrilho e o aspirador de pó desliza pelo chão.
07.
ONTEM - Os médicos atendiam em domicílio assim que chamados e eram considerados pessoas da família.
HOJE - Um médico pode demorar 1, 2 ou mais meses para atender um paciente, em sua clínica.
08.
ONTEM - A televisão era em preto e branco, e mudar um dos poucos canais existentes significava deixar o conforto do sofá.
HOJE - A televisão é um importante membro da família, com cores em alta definição e muda-se algumas dezenas de canais sem sair do lugar.
09.
ONTEM - As casas eram estreitas e construídas à beira das calçadas, sem garagens, porque não havia carros.
HOJE - As casas e os prédios de apartamentos têm ao menos duas garagens.
10.
ONTEM - Era um corpo ágil, com rosto liso e olhar vivaz!
HOJE - É um corpo lento, o rosto com as marcas do tempo, e o olhar sem ilusões!
O HOMEM E O DINHEIRO
Ele é o senhor dos seus próprios passos! Manda à sua volta:
na esposa que não ousa insurgir-se, nos filhos que não se atrevem a desobedecer, nos empregados que não se arriscam descumprir suas ordens, nos amigos que não têm a coragem de contrariá-lo!
A sua força não está na simpatia, no carisma, na liderança natural ou qualquer ordem de grandeza que possa fazer com que um homem seja maior que os outros!
Ao contrário, seu temperamento extremamente autoritário, caprichoso e que submete os outros à sua vontade, repousa na magnitude dos seus recursos financeiros, que não se contam em milhões, mas em bilhões!
Aí reside sua força, e à volta da sua colméia, as resignadas abelhas praticando servidão!
Enquanto ele é o que quer ser, os outros são o que não gostariam de ser!
O dinheiro é o grande senhor da servidão humana!
SEM LIBERDADE
" Nada estabelece limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de dinheiro. " - John Kenneth Galbraith, economista americano.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

COISAS SIMPLES

COISAS SIMPLES
O filho pequeno entrando na escola com a mochila nas costas!
A chuva fraca caindo com sua repetitiva e indolente sinfonia!
A conversa descompromissada ao lado do fogão à lenha!
O acordar preguiçoso sem hora e sem compromisso no domingo!
A quietude da leitura à meia-luz na cama a dois!
O copo-d'água sorvido com avidez após a faina da limpeza!
O cansaço relaxante e recompensador ao término da festa de aniversário do filho pequeno!
O sorriso de terno agradecimento depois de uma gentileza!
O caminhar pela orla da praia em tarde de pôr do sol!
A alegria íntima de ver os filhos crescidos seguindo seus próprios caminhos!
A mesa do almoço do domingo com a família ruidosa, falante, em irradiante felicidade e ávida de iguarias!
O deitar-se à noite com a satisfação das tarefas realizadas!
O abrir dos olhos na manhã seguinte, em paz consigo mesmo, descobrindo-se feliz e desejoso de viver a benção de mais um dia!
A IMPRENSA DE GUTENBERG
Johannes Gutenberg inventou a imprensa na última parte do século XIV. Descendia de família abastada. No ano de 1455 iniciou a impressão da sua Bíblia com 1.282 páginas, a chamada Bíblia de Gutenberg e quando morreu estava cego.
Na antiguidade, o livro possuia as formas mais diversas como tabletes, rolos de papiro, tábuas. Usado pelos egípcios, que nele gravavam os hieróglifos, o papiro foi muito utilizado até ser substituido pelo pergaminho. Os romanos popularizaram a forma atual do livro, que chamavam códices e eram feitos de pergaminho.
A pré-história do jornal já era registrada no mundo antigo, em Peguim, na China, 1.000 anos antes de nossa era. O Egito de 1750 a.C. também tinha seus 'jornais.'
Com Gutemberg mudaram o livro e o jornal como hoje ainda vemos publicados em papel.
A imprensa foi introduzida no Brasil com a corte de D. João VI e o primeiro jornal a ser editado foi a 'Gazeta do Rio de Janeiro', em 1808, e muitos outros vieram depois como o 'Jornal do Brasil' em 1891, o primeiro a usar máquinas de impressão em cores, a ter um grande número de correspondentes estrangeiros e o sistema de distribuição em carroças.
É esse mesmo 'Jornal do Brasil' que vai, a partir de 1º de setembro próximo, deixar para trás a invenção de Gutenberg, colocando um fim à publicação impressa, passando a ter somente edição online, com assinatura de R$ 9,90 por mês.
A mudança tem como determinante as dificuldades financeiras
do jornal e a opção pela internet é o caminho que se abre como meio de continuar a informar.
A avassaladora internet, substantivo feminino que há poucos anos é verbete de dicionários e enciclopédias, continua, com sua amplitude global, a revolucionar as comunicações e a tornar o outro lado do mundo cada vez mais perto da nossa sala de visitas!
O ACASO
O acaso pode ser um linimento ou uma benção!
O acaso pode ser o portal da felicidade!
O acaso pode ser a resposta às angústias da irresolução!
O acaso pode ser a resposta não encontrada no raciocínio e na lógica!
O acaso pode ser o caminho do arco-íris!
OSTRACISMO
" Tenho-me feito esquecer. Moro longe e saio pouco. " - Machado de Assis (1839-1908) em 'Dom Casmurro.'

sexta-feira, 9 de julho de 2010

BRILHO

BRILHO
Aos 82 anos de idade, coloca em suas esculturas todo o brilho que sua vida não mais tem!
Foram-se os tempos da enorme casa colonial de piso com o barulho candente do pisar das corridas das agitadas crianças, dos parentes e dos amigos queridos, indo, vindo, sorrindo sempre as alegrias das novidades!
O quieto e afável marido era como uma peça do mobiliário, mas sua presença silenciosa transmitia ao ambiente a serenidade e a segurança que, subliminarmente, alcançava o espírito de todos, proporcionado-lhes um sentimento de bem estar!
Seu passado tem o encantamento que ela imprime às suas esculturas como se Auguste Rodin fosse!
Seu presente é tão opaco quanto a matéria prima com que molda sua arte!
Ela vive do que foi, não do que é!
PEQUENEZ
O ser humano é desumanamente imprevisível!
Ele, a cada dia, tem atitudes que demonstram que o maior predador do ser humano é o próprio ser humano, como afirmava o pensador inglês Thomas Hobbes (1588-1679), no distante século dezessete.
Os tidos como animais irracionais, perigosos ou não, conforme a natureza os fez, são previsíveis!
Todos sabemos que não podemos nos aproximar de um crocodilo ou de uma cobra, mas que podemos tocar uma rena ou uma garça!
O ser humano, o homem mormente, é dominado pelas paixões, pelo egoísmo, pelo utilitarismo, pela arrogância, pela soberba da superioridade que acredita ter e pela neurose do mando!
O ser humano, na sua generalidade, é pequeno de alma, muito longe da força superior que o criou à sua imagem e semelhança!
INTIMIDADE
" Não deve haver prestígio sem mistério. Pouco se reverencia a quem muito se conhece. " - General Charles De Gaulle (1890-1970), presidente e estadista francês.

sábado, 3 de julho de 2010

NOBREZA

NOBREZA
Nas arquibancadas, sob o sol, frio ou chuva, pulando, cantando, gritando, dançando, fantasiados, pintados, se agitando diante dos indiscretos olhos das câmeras de televisão, os comuns, os 'anônimos', os entusiastas do patriotismo nacional do momento e os fanáticos por futebol, numa alegria fraternal e universal.
Nos camarotes especiais, cercados por seguranças, nomes renomados da música (Mick Jagger), líderes mundiais (Bill Clinton), astros de cinema (Leonardo Di Caprio), socialites do jet set internacional (Paris Hilton) e notáveis ex-jogadores de futebol.
Estes, os famosos, a muito alta burguesia, objetos do desejo e da admiração de milhares de pessoas 'anônimas' pelo mundo.
Tão perto, mas, ao mesmo tempo, tão longe!
Inacessíveis diante da grande horda de 'anônimos', os mesmos que 'compram' seus talentos através dos CDs, votando, assistindo seus filmes, adquirindo suas roupas e perfumes de sua grife ou celebrando seus gols, aqueles que permitem a eles que tenham fama, dinheiro e poder!
O mundo jamais será democraticamente iqualitário!
Ele existirá sempre dividido pela dicotomia nobres e 'anônimos'!
ÍCARO
O sonho do homem de voar, que passou pelos antigos egípcios e gregos, que representavam alguns de seus deuses por figuras aladas, passando por Leonardo da Vinci, que no século XV construiu um modelo de avião em forma de pássaro, foi materializado no início do século XX pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, os americanos Wilbur e Orville Wright e o francês Louis Blériot, entre outros pioneiros.
No mês passado, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos certificou um avião para andar como carro nas ruas. Movido a gasolina, de avião ele pode ser transformado em carro pelo piloto em apenas 30 segundos.
Quando o telefone (1876), o carro (1885) e a televisão (1930) foram apresentados ao mundo, eram considerados apenas como novidades, assim como o avião que pode andar como carro passa desapercebido do mundo como aqueles também passaram!
Somente o tempo e a evolução natural do avião-carro permitirão que o mundo perceba a extensão dessa 'novidade' e sua importância nos tempos futuros, nos séculos futuros!
IMPORTÂNCIA
" A história é, na verdade, a testemunha dos tempos, a luz da verdade, a vida da memória, a mestra da vida, a mensagem da antiguidade. " - Cícero (106-43 a.C.), historiador e tribuno romano.