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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

DESTINO

IMPESSOALIDADE
Há algumas décadas atrás, mais ou menos até os anos de 1960, antes que surgissem os grandes supermercados e shopping centers, fazia-se compras em pequenos supermercados, vendas e lojas, com 'cadernetas'. Nelas, o caixa ou dono do comércio registrava, sem qualquer burocracia, o valor da conta e o frequês levava a caderneta para casa, numa relação de consumo inconcebível nos dias de hoje. Vivemos um tempo de impessoais relações de consumo, exceção para algumas pequenas quitandas e lojas onde se vai com frequência e se cria uma natural familiariedade, formando-se isoladas ilhas de solidariedade!
Entra-se em um grande supermercado, compra-se sem pressa, sem palavras e sem ninguém à volta! Nem mesmo um 'bom dia' é dito!
Ao sair, paga-se para uma funcionária de caixa quase sempre indiferente e enfadada e, se há uma fila, é se chamado de 'próximo', equação máxima da impessoalidade, em timbre de voz estridente e rígido!
Há muito tempo, na cidade que cresce vigorosamente e onde quase todos se desconhecem, despediram-se das relações pessoais: a familiariedade, a educação, a fraternidade e o respeito; tomaram seus lugares a impessoalidade, a distância e a indiferença!
PLACIDEZ
Não tem compromisso com ninguém! Sua única companhia é o silêncio à sua volta!
Vive no vazio das vozes, que podem ser gritadas, carinhosas, sussurradas, repressoras, protetoras, mas que fazem as relações humanas terem algum sentido!
Sente falta dessas vozes, mas preza muito o conforto espiritual da sua solidão, em meio a livros, personagens e imagens de estimulantes coleções de momentos felizes!
OPINIÕES
Os humanos demoram para perceber a inutilidade das suas inocuidades, das suas mortais idiossincrasias, das suas, tolamente, imutáveis opiniões, que, ao final de tudo, serão mutáveis pela sabedoria do tempo!
DESTINO
" Tudo já está determinado, tanto o início como o fim, por forças sobre as quais não temos nenhum controle. Tudo está determinado, tanto para os insetos como para as estrelas. Seres humanos, vegetais, poeira cósmica, todos nós dançamos conforme uma música misteriosa, entoada à distância por um músico invisível. " - Albert Einstein (1879-1955), cientista e filósofo, ao responder se ele considerava o ser humano um agente livre.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

ESPERANÇA

PRECONCEITO
Na década de 1920, os jogadores de futebol eram amadores e recebiam premios, indicações para emprego e até mesmo pequenos salários dos seus clubes.
Em 1933, os paulistas seguiram o exemplo dos cariocas e começaram a profissionalização do seu futebol com a fundação da Associação Paulista de Esportes Atléticos. O primeiro passo para a profissionalização havia sido dado pelo Fluminense do Rio de Janeiro que organizou, com outros clubes, a Liga Carioca de Futebol.
Em 1937, após muita disputa entre continuar o amadorismo e a profissionalização, surge a CBD, Confederação Brasileira de Desportos, hoje CBF, Confederação Brasileira de Futebol, que veio profissionalizar, definitivamente, o futebol.
Em 1938, o Brasil ficou em 3º lugar na Copa do Mundo na França e o futebol já era o mais importante esporte nacional, o esporte que qualquer um do país pobre podia praticar.
Ficavam para trás o amadorismo e medidas descabidas e preconceituosas como a do presidente Epitácio Pessoa, em 1921, que proibiu que 'cidadãos de cor' jogassem pela seleção brasileira.
Se prevalecesse o preconceito, o Brasil e o mundo não veriam em campo estilistas da bola como Leônidas da Silva, Domingos da Guia e o genial Pelé.
Felizmente, para o bem da humanidade, tudo passa, tudo muda, embora com necessária luta e angustiante vagar!
É difícil pôr um fim ao que não deveria existir!
SÓ ESPERANÇA
Ela cuida mais das coisas que das pessoas!
Coração desalentado e solitário!
Falta a ela um amor!
Quer dar, quer receber, mas é prisioneira do seu próprio eu, cercado de convenções, incapacidades, fragilidades e medos!
Vai a lugares, mas está sempre ausente, ausente de si própria, absorta em abstratas esperanças!
O novo dia é uma esperança, mas como sói acontecer, ano após ano, é uma esperança tão concreta quanto pegar o vento ou fazer com que a chuva pare de cair!
ALMA
" Volta o olhar para o teu interior. Aí reside a fonte do bem inesgotável, se o buscares sem cessar." - Marco Aurélio (121-180), filósofo e imperador romano.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CELEBRAÇÃO

A SEIVA DOS MOMENTOS
As velhas e centenárias casas em ruas tristes começam a ceder espaço ao novo!
Histórias que se findam, novas que se iniciam!
Paredes de taipa de mão desmancham-se ao chão!
Retorcidas fiações expostas!
Lâmpadas amareladas, quase luz de vela!
O novo, com revigoradas formas e energias, vem substituir o entristecido e ultrapassado!
Assim é também na natureza!
Ciclo natural da vida!
Nada é para sempre!
Urge viver a vida extraindo o melhor da seiva de cada momento, que não se repetirá jamais, e se assim acontecer, por semelhante que seja, será diferente, será outro momento, porque, não se entra nas mesmas águas do rio duas vezes, porque elas passam e são substituidas por outras águas, parecidas!
PRIMATAS
O trânsito é, irremediavelmente, uma perigosa selva! Os direitos do outro são 'disputados' por inócua pressa, má formação intelectual e falta de educação formal e informal!
Primatas ao volante transformam seu primitivismo em 'direitos' indivisíveis!
Hoje é assim, amanhã também será assim!
Em meio a desaforos, desavenças, danos materiais e tragédias, estão os inocentes!
CELEBRAÇÃO
O dia de aniversário deveria ser sempre um dia de celebração! Celebração da própria vida, das conquistas, dos herdeiros, dos sonhos realizados e dos infindáveis objetivos e motivações que sempre habitam os espíritos ilustres!
Não celebrá-lo é desapegar-se de si próprio, da vida e de elevados valores humanos!
INCLINAÇÃO
" O egoísmo é uma inclinação natural do homem." - Thomas Hobbes (1588-1679), filósofo inglês.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

IDADE

RESPEITO
A Lei nº 10.741/2003, Estatuto do Idoso, em vigor desde 1º de outubro de 2003, regula direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, mas o Brasil não é o Japão e o envelhecimento, um direito personalíssimo, isto é, pessoal e intransferível, é, minimamente, para os não-idosos, um ultraje, às vezes, um aborrecimento, um transtorno criador de embaraçosas situações, no mais das vezes. Ter que ceder a vez numa fila de banco ou numa repartição pública, não poder se sentar em alguns poucos bancos em um ônibus, não ocupar algumas vagas em estacionamentos de shoppings e supermercados são 'concessões' que os não-idosos acham que têm que 'engolir.
Não bastasse esses fatos, muitos idosos têm dificuldades de locomoção e 'atrasam' a pressa, quase sempre inútil, dos afobados por natureza e 'quase' donos, em sua obtusa ótica, do direito territorial e de uso dos equipamentos públicos e privados à sua volta.
Enfim, tudo se resume à questão da educação, do trato, valores intrínsecos dos quais muitos são carentes aqui para baixo da linha do equador.
VÁCUO
Seu muito tempo vago a levou à decisão de terminar o não-terminado! Tinha três objetivos desde a adolescência: aprender pintura, fazer uma faculdade e praticar tai-chi-chuan.
Havia iniciado os três cursos antes do casamento, dos filhos, das frustrações, do viver para cuidar de todos eles e não terminou seus projetos!
O preço foi um vácuo subliminar que só agora, viúva, com os filhos crescidos e pouco presentes, que poderia preencher. As escolhas seriam exclusivamente as suas!
Novos pincéis, novos colegas, novos movimentos! Achava que agora sua vida seria de alegrias e prazeres somente!
Mas, por mais que se dedicasse e acreditasse que agora vivia como queria, sua alma estava vazia! Faltava-lhe tudo aquilo que foi a essência de toda sua vida até então: o marido-companheiro, a alegria dos filhos pequenos, o prazer de ir à faculdade com gente jovem cheia de planos e sonhos!
Agora, era um preencher do tempo, quase sem um porquê! O seu coração e sua alma já eram tomados pelas pessoas e coisas que realmente amara a vida toda! Não tinha forças para se libertar!
Agora, suas atividades eram somente ocupacionais, sem brilho, sem canto, sem a maravilhosa sutileza dos mais doces momentos!
CONSCIÊNCIA
" A possibilidade de atirar fora todas as máscaras é uma das raras vantagens que o envelhecimento dá. " - Marguerite Yourcenar, escritora francesa de origem belga em 'Memórias de Adriano.'